Descubra as novas regras para transporte aéreo de pets no Brasil. Saiba como transportar gato em avião, documentos exigidos, restrições por raça e opções de envio desacompanhado com segurança.

O mercado pet brasileiro é o terceiro maior do mundo em faturamento. Nesse cenário, o transporte aéreo de pets no Brasil passa por uma transformação estrutural em sua logística. O que antes era tratado como uma extensão do serviço de bagagem passou a ser regulado por normas específicas, pressões sociais e critérios técnicos relacionados ao bem-estar animal e à segurança operacional.
Para tutores e criadores de gatos de raça, as regras implementadas entre 2024 e 2026 representam uma mudança significativa na forma de planejar o envio interestadual.
Como um incidente mudou as regras para o transporte de pets
O caso do cão Joca, um Golden Retriever enviado ao destino errado pela Gol em abril de 2024, impactou a aviação pet no Brasil. O episódio expôs fragilidades operacionais e gerou forte repercussão pública.
Como resultado, embora o caso envolvesse um cão, os efeitos alcançaram todo o setor. Transações interestaduais foram temporariamente impactadas e por esse motivo, o governo federal passou a discutir regras mais claras para o transporte aéreo de animais.
O Ministério de Portos e Aeroportos e a ANAC instituíram uma comissão técnica que deu origem ao Plano de Transporte Aéreo de Animais (PATA). O objetivo foi alinhar o Brasil a práticas internacionais e estabelecer critérios objetivos de segurança, rastreabilidade e bem-estar.
O transporte de animais deixou de ser tratado apenas como bagagem especial e, desde então, passou a exigir protocolos específicos e monitoramento mais rigoroso.
Autoridades e companhias aéreas deixaram de tratar o transporte como bagagem especial e passaram a exigir protocolos específicos.
Cabine ou porão?
Em 2025, a ANAC consolidou diretrizes do transporte aéreo de pets no Brasil por meio da Portaria nº 17.476/SAS. A norma trouxe definições mais claras sobre a classificação dos animais e os critérios que as companhias utilizam.
Quando o tutor viaja com seu pet, pode levá-lo na cabine, desde que respeite os limites de peso e dimensões definidos por cada companhia aérea. No entanto, caso o animal ultrapasse os limites permitidos ou não possa ser acomodado sob o assento, o transporte deverá ocorrer no porão.
Nos casos de transporte desacompanhado, a única modalidade permitida é o envio no compartimento de carga.
As três categorias que agora definem o destino do seu felino dentro do avião
| Animal de Estimação | Cão ou gato doméstico com comportamento dócil. É a categoria padrão e exige transporte em kennel conforme normas da IATA. |
| Suporte Emocional | Animal que oferece apoio psicológico, mas não possui treinamento de serviço. Está sujeito às regras da companhia aérea, incluindo exigência de caixa de transporte e cobrança de taxa. |
| Animal de Serviço | Exclusivamente cão-guia, conforme Lei 11.126/05. Gatos não se enquadram nessa categoria. |
Essa classificação eliminou ambiguidades que anteriormente geravam disputas judiciais e interpretações divergentes.
As novas regras para gatos de focinho curto

Raças como Persa e Exotic Shorthair apresentam características anatômicas que exigem atenção adicional durante o transporte aéreo.
Esses gatos possuem vias aéreas mais estreitas e maior sensibilidade a variações de temperatura e pressão atmosférica. Por esse motivo, especialmente voando no porão, a combinação de pressão reduzida e alterações térmicas pode representar risco adicional.
Atualmente, a LATAM não permite o transporte de gatos braquicefálicos no porão. A companhia permite o transporte na cabine, desde que o tutor respeite os limites de peso e dimensões.
As dificuldades de envio para outros estados
A suspensão das operações de porão pela GOL e a política de transporte restrita à cabine pela Azul concentraram o transporte de pets no porão na LATAM.
Para criadores e tutores, isso representa um obstáculo e, além disso, reduz as opções disponíveis para contratar o serviço. O conjunto de exigências técnicas e operacionais elevou o nível de planejamento necessário e, em muitos casos, aumentou o custo final do envio.
Uma das principais barreiras técnicas para o transporte no porão é a exigência de dimensões adequadas do kennel.
O animal deve permanecer em pé sobre as quatro patas, conseguir girar naturalmente sem tocar as paredes e manter uma folga mínima de 5 centímetros entre a cabeça e o teto da caixa. A equipe realiza a aferição no check-in e, caso os critérios não sejam atendidos, não permitem o embarque.
O impacto direto nas raças gigantes
Raças de grande porte, como Maine Coon, Ragdoll, Siberiano e Norueguês da Floresta, passaram a enfrentar restrições proporcionais ao seu tamanho.
Com as atualizações das regras, diversos modelos de kennel anteriormente aceitos deixaram de ser compatíveis com as exigências atuais.
Consequentemente, a necessidade de caixas maiores gera dois impactos principais. O primeiro é o aumento do custo do equipamento. O segundo é o reflexo no valor do transporte aéreo, que considera o volume cúbico ocupado. Quanto maior a caixa, maior o espaço reservado na aeronave e, consequentemente, maior o custo operacional.
Restrição horária para embarque no porão
Entre 10h e 16h, o despacho de animais no porão é restringido em boa parte da malha aérea nacional. A medida busca reduzir riscos de exposição a temperaturas elevadas durante o tempo de permanência em solo.
Como resultado, essa limitação altera a disponibilidade de voos, especialmente em regiões com clima mais quente ou rotas com poucas opções noturnas.
Limitação de conexões
Para reduzir riscos operacionais, o transporte no porão passou a permitir, em regra, apenas uma conexão, com tempo máximo de espera limitado.
Isso restringe itinerários com múltiplos trechos e impacta cidades que dependem de conexões sucessivas para acessar grandes centros.
Além disso, quando o trajeto envolve aeronaves diferentes, aplica-se a condição mais restritiva quanto ao tamanho do kennel. Caso um dos trechos não comporte as dimensões exigidas, o transporte pode ser inviabilizado.
O reflexo nos custos
As novas exigências alteraram a composição do custo total de envio. Kennels de grande porte podem ultrapassar o valor de R$1.000,00.
As tarifas para transporte no porão variam conforme peso combinado e rota. Voos em horários específicos tendem a ter maior demanda e menor disponibilidade.
Em alguns casos, o transporte terrestre especializado tornou-se alternativa viável para trajetos de média distância.
Vai adquirir um gato em outro estado?

Adquirir um gato em outro estado continua sendo possível. No entanto, exige organização logística e compreensão clara das restrições vigentes.
As regras mais restritivas alteraram significativamente a logística para quem compra um gato de raça fora de seu estado.
Dependendo do porte do animal e das limitações da rota, como conexões disponíveis, distância e disponibilidade operacional dos voos, pode ser necessário que o tutor viaje até o estado de origem para trazer o gato na cabine.
Em muitos casos, especialmente para raças de grande porte, o envio desacompanhado tornou-se mais complexo e financeiramente oneroso.
Adquirir um gato em outro estado continua sendo possível, mas exige planejamento prévio e compreensão clara das restrições vigentes.
Vai adquirir um gato em outro estado?
O transporte aéreo de pets no Brasil exige documentação sanitária rigorosa. Entre os principais documentos estão:
| Documento | Requisito em 2026 | Validade |
| Atestado Sanitário | Deve comprovar que o gato está apto para voar e livre de doenças contagiosas. | 10 dias corridos da emissão. |
| Carteira de Vacinação | Antirrábica obrigatória para animais com mais de 3 meses de idade. | Mínimo de 30 dias após a 1ª dose. |
| Microchip (ISO 11784/85) | Fortemente recomendado para voos nacionais; obrigatório para internacionais. | Vitalícia. |
| CVI ou e-CVI | Certificado Veterinário Internacional emitido pelo MAPA (Vigiagro). | Conforme o país de destino (geralmente 10 dias). |
| Passaporte Pet | Opcional, substitui o atestado sanitário em voos nacionais. | Vitalício. |
Fêmeas prenhas ou que tenham parido recentemente não são autorizadas a embarcar. O uso de sedativos é desaconselhado pelas companhias aéreas e pela IATA devido aos riscos respiratórios em altitude.
Pet Nanny e o mercado de luxo: A profissionalização dos serviços

As restrições de transporte de pets das cias aéreas abriram espaço para um novo nicho de mercado. Trata-se dos acompanhantes profissionais de pets, conhecidos como Pet Nannies ou Vet Nannies. O serviço já era amplamente utilizado na importação de gatos. Quando o comprador não pode viajar para buscar o gato, tem a opção de contratar um profissional que viaja com o gato na cabine. Agora esse serviço está crescendo também para viagens dentro do território nacional.
O modelo de negócio do acompanhamento especializado
A Pet Nanny não é apenas um transportador. Trata-se de um cuidador que assume a guarda do animal durante todo o trajeto. Dessa forma, esse serviço elimina os riscos do porão e as incertezas do check-in.
- Logística Completa: O profissional gerencia toda a documentação e realiza o check-in. Além disso, acompanha o gato dentro da cabine em sua própria cota de passageiro.
- Redução de Estresse: O gato recebe atenção constante. Em conexões, a Pet Nanny pode administrar feromônios sintéticos para relaxar o gato. Ademais, oferece água e conforto em áreas reservadas do aeroporto.
- Custos: O serviço pet na cabine custa cerca de R$ 300,00 na Azul ou LATAM. Já uma Pet Nanny em trecho nacional pode variar de R$ 1.500,00 a R$ 4.000,00. Isso depende da urgência e da experiência do profissional.
Esse serviço é frequentemente a única saída para enviar um gato gigante ou um Persa entre estados. Ele garante que o animal viaje sob o assento ou em assento extra, conforme permite a Lei Joca.









